ALCATEIA VERA BARCLAY

Entre os 6,5 e 10 anos, são denominados lobinhos e lobinhas. O Programa Educativo aplicado ao Ramo Lobinho concentra sua ênfase educativa no processo de socialização da criança, visando os primeiros ensinamentos, eles aprendem muito sobre a vida em meio à natureza, a viver em grupo e desenvolvem a sua liderança. "O Livro da Jângal" de Rudyard Kipling, que retrata as aventuras de Mowgli, o menino lobo, é o que inspira a organização do Ramo Lobinho - juntos, formam uma alcateia, que é dividida em pequenos grupos chamados matilhas, com 4 a 6 crianças em cada uma e são identificadas por cores. O chefe é chamado de Akelá e seus assistentes são chamados Baloo, Baguerra, Kaa, Chill e/ou outros nomes dos personagens representados no livro citado acima.

Prometo, fazer o melhor possível para: cumprir meus deveres para com Deus e minha Pátria; obedecer à Lei do Lobinho; e fazer todos os dias uma boa ação.

1. O lobinho ouve sempre os velhos lobos

2. O lobinho pensa primeiro nos outros

3. O lobinho abre os olhos e os ouvidos

4. O lobinho é limpo e está sempre alegre

5. O lobinho diz sempre a verdade

Patrona

Vera Barclay (A Primeira Akelá)

Na edição original do livro "Escotismo para Rapazes", Baden-Powell não fixou um limite de idade mínima, nem máxima para o ingresso do menino no Movimento Escoteiro. Como consequência disso, as tropas tinham meninos cujas idades variavam entre 9 e 18 anos. As coisas, no entanto, não eram tão simples assim, imediatamente levantaram-se agudas persistentes vozes de meninos que eram muito pequenos para serem escoteiros, irmãos menores, que não estavam na faixa etária da "diversão" organizada no príncipio do século, queriam entrar na brincadeira e não podiam esperar mais. Os "pequenos" foram tão persistentes, intrometendo-se nas reuniões de tropa e iniciaram alguns ensaios por volta de 1909.

Os primeiros esforços de trabalhar com meninos menores não obtiveram sucesso. Alguns escoteiros sentiram em receber estas crianças como "Junior Scouts", mas os resultados foram desastrosos. A tropa desestruturou-se, os mais velhos não desejavam misturar-se com os pequenos e estes não conseguiram acompanhar as vigorosas atividades feitas pelos escoteiros. Tomar providências para que o que mais tarde foi chamado de "Junior Scouts", foi uma tarefa muito árdua para Baden-Powell, pois embora ele estivesse receptivo à ideia, teve que tomar precauções para evitar a impressão que seu Movimento estava criando um jardim de infância para escoteiros. Baden-Powell não teve tempo suficiente para escrever o Manual do Lobinho durante a Primeira Guerra Mundial, porém anunciou o que o faria pouco tempo depois.

Com a erupção da guerra, as mulheres tomaram os lugares antes ocupados pelos jovens, que haviam respondido aos apelos do exército. Assim, foi permitido o ingresso de senhoras e senhoritas no Movimento, estas estavam encantadas com a ideia de que pudesse ensinar os pequenos. Suas ideias foram de grande valia na elucidação de problemas especiais que surgiam no ensinamento dos pequenos. E nesta leva feminina que surge o braço direito do fundador, no ramo lobinho: a Srta. Vera Barclay.

O seu encontro com o fundador deu-se no dia 16 de Junho de 1916 em uma conferência em Londres, onde Chefes de Lobinhos reuniram-se para reivindicar o esperado Manual do Lobinho, que contivesse um esquema específico para o ramo. Vera Barclay não compareceu a conferência movida pelos seus objetivos uma vez que lobinhos não lhe interessavam, sua fixação eram os escoteiros. Porém, havia recebido um convite especial de Baden-Powell que queria conversar com ela. O objetivo dele era contratá-la para juntar-se a equipe do Headquarters e trabalhar no projeto dos lobinhos. A ideia não a entusiasmou muito uma vez que lobinhos não eram o seu trabalho e fechar-se em um escritório em Londres não estava em seus planos.

Em sua atuação com escoteiros nas areas carentes de Londres recebeu de companheiros mais formais a crítica de que os rapazes não atendiam perfeitamente a todos os aspectos da Lei Escoteira. Então, uma resposta que se tornou famosa: "O que interessa é, que pelo escotismo, os rapazes se tornem melhores!". No entanto, em virtude de um joelho machucado, ela estava afastada de suas funções de enfermeira no "NetleyRed Cross Hospital" e além do mais, como admitiu posteriormente, era um grande serviço para o escotismo isolar os meninos pequenos e seus persistentes chefes dentro de suas próprias competências.

Não demorou muito, os lobinhos consquitaram completamente sua simpatia instalando-se definitivamente dentro de seu coração, de forma que a fizesse fazer de tudo para que eles fossem aceitos na fraternidade escoteira, pleiteando junto ao Headquarters tudo o que eles queriam. Ela dedicou-se com entusiasmo na organização do Manual do Lobinho, intercalando ao famoso manuscrito de Baden-Powell, recortes, seus desenhos feitos a pena e bilhetes que encontrava jogados sobre sua mesa, contendo novas ideias de B.P. muitas vezes anotadas em papéis de suas lâminas de barbear. O Manual ficou também enriquecido com suas próprias opiniões acerca das insígnias e especialidades que constituiriam a parte II do Manual. O Manual do Lobinho está impregano de suas influências, feitas com entusiasmo e imaginação, principalmente de um grande conhecimento da natureza de meninos pequenos. Ela via claramente a necessidade de conservar a essência, tanto quanto o método de treinamento, o tão distinto quanto possível do escoteiro.

Esta posição futuramente influiu fortemente para sua indicação como Comissária do Quartel General para Lobinhos, posto que ela manteve até 1927. Porém, o que veio responder a procura de Baden-Powell por algo atrante, especial, capaz de sustentar a fantasia e contribuir com a formação da criança foi o Livro da Jângal, cuja adoção revolucionou completamente o esquema.

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